Um passeio pela vida, um encontro com os mistérios, que a cada momento nos surpreendem com sua face obscura. Refletir sobre o que se oculta na existência, leva-nos ao caminho do autoconhecimento e da sabedoria.
sexta-feira, 5 de setembro de 2025
quinta-feira, 4 de setembro de 2025
quarta-feira, 3 de setembro de 2025
OS IDOSOS, AS DIVERSAS CLASSES SOCIAIS, E O QUE PENSAM DA VELHICE
OS IDOSOS, AS DIVERSAS CLASSES SOCIAIS, E O QUE PENSAM DA VELHICE
A idosidade é o grande desafio da sociedade pós-industrial.
É evidente o aumento do número de idosos no Brasil, despreparado em suas políticas públicas assistencialistas, para atender a esse público, sobre o qual se conhece muito pouco.
Até o momento, outros atores têm falado por eles, focando na velhice como um processo negativo e linearmente homogêneo.
Trata-se de um segmento social diferenciado em suas necessidades, o que cria um novo patamar de cuidados e atendimentos, bem mais exigentes, considerando ser um público especial e com fragilidades decorrentes da idade.
No entanto, ainda paira a invisibilidade de sua presença crescente na sociedade, sem que ações e projetos sejam desenvolvidos, para atender a esses idosos, que ficam à margem das preocupações do poder público.
Saber quem são esses idosos, em que classes sociais estão situados, que projetos desenvolver para esse segmento, considerado "singular e improdutivo, sem valor social", observando-se que foram eles que construíram o momento presente, é o sentido e significado desta exposição.
Em 2022, o total de pessoas com 65 anos, ou mais no país, atingiu 10,9% da população (22.169.1011), com alta de 57,4%, frente a 2010, quando esse contingente era de 14.081.477, 08, ou 7,4% da população.
Segundo o IBGE, os indicadores de envelhecimento da população brasileira, aceleraram para níveis recordes, e pessoas de 65 anos ou mais. já representam 10,9% do total de habitantes no país - dos 203,1 milhões de brasileiros, 22,2 milhões estão nesta faixa etária.
Georg Lukacs, um dos mais importantes intelectuais marxistas, da era stalinista, filósofo, sociólogo, político, escritor, professor universitário, crítico literário e historiador literário, reconhecido como o precursor dos estudos sociológicos da literatura ficcional, apresenta um texto interessante sobre a velhice.
Considero ser importante apresentá-lo, pois sua atualidade, ante a realidade brasileira, merece uma reflexão sobre a ocorrência significativa e transformadora de fatos e ações, no curso de eventos, que alteram a nossa percepção da realidade, permitindo notar o conceito de envelhecimento como um constructo social. Um ponto de inflexão.
Vamos ao texto de Lukacs.
................. ................ ................ ................. .................... ..........................
"O envelhecimento do trabalhador está sujeito às instituições sociais do Estado. Nas democracias capitalistas, o envelhecimento da população suscita uma nova questão.
Não somente as pessoas idosas são muito mais numerosas do que outrora, mas elas não se integram mais espontaneamente à sociedade. Esta vê-se obrigada a decidir sobre o estatuto delas, e a decisão só pode ser tomada em nível governamental.
A velhice tornou-se o objeto de uma política.
É possível observar-se que a velhice da classe trabalhadora demanda atenção substancial do Estado na contemporaneidade, pois os setores sociais e populares estão cada vez mais subalternizados pelas condições redefinidas do trabalho informal. flexibilização do trabalho, desproteção trabalhista, dentre outros aspectos que desembocam no agravamento da desigualdade e pobreza.
Desta forma, as respostas dadas pelo Estado às expressões da "questão social", devem corresponder às necessidades dos segmentos de classe e também geracionais, levando em conta os aspectos denunciados por Debert. quando afirma que "(...) o empobrecimento e os preconceitos marcariam a velhice nas sociedades modernas, que abandonam os 'velhos' a uma existência sem significado.
As contradições fundamentais da sociedade organizada sob a égide do Capital, revelam que interessa à produção capitalista, apenas a usurpação da força do trabalho, condição fundante para os processos de procução.
O envelhecimento da classe trabalhadora, alienada pelo trabalho abstrato, torna-se peculiar no sentido de não representar o tempo da liberdade, do descanso e do lazer, tal qual difunde o mercado e a cultura capitalista.
Não há na sociabilidade capitalista, tempo verdadeiramente livre para o trabalhador, e é no tempo da velhice que as contradições e desigualdades de classe engendradas pelo desenvolvimento do Capital são evidenciadas.
A classe trabalhadora passa a ter seu próprio tempo de vida (tempo de trabalho e tempo livre) submetido à logica do Capital, o que compromete a liberdade e o sentido da vida dentro, e também fora do trabalho.
Essa lógica condena o trabalhador à exploração máxima, até o limite de exaustão da sua capacidade produtiva, repercutindo em toda a esferas da vida e do tempo social.
O trabalhador velho, ao perder o seu valor de uso para o Capital, atinge um potencial desumanizante de superfluo para o Capital, e peso morto no exército industrial de reserva.
Esse sistema produtor de mercadorias instaura uma relação desumanizada, coisificada, que reduz a força de trabalho, à coisa, a condição material de produção, submetida ao imperativo da produção de riquezas para fins de valorização do Capital, engendrando não apena a devalorização da qualidades e necessidades humanas, mas também uma sociabilidade que gera pobreza, populaçõe excedentes , e "os inúteis" para o Capital, pela falta do valor de uso, de rentabilidade, principalmente, quando a força do trabalho está desgastada e envelhecida.
O ser humano, em tempo de Capital, só interessa enquanto possuidor de força de trabalho, fonte de mais-valia e de valor, ou enquanto consumidor, o que explicaria a desvalorização social dos velhos, e mais ainda, do envelhecimento empobrecido e inseguro, têm-se dado mediante políticas de seguridade social que, em países de capitalismo dependente como o Brasil, não conseguem garantir o mínimo necessário a reprodução da vida, a uma parcela significativa da população.
Essas medidas mantém o ciclo da apropriação de riquezas e exploração da grande massa: as políticas sociais que integram o conjunto de proteção social à velhice do trabalhador, estão, contraditoriamente, ofertando acesso a direitos sociais ao mesmo tempo em que reproduzem ações de caráter seletiva, excludente e privatista."
.................. ................... .................... .................. ...................... .....................
Envelhecer no Brasil, não é uma experiência unívoca, homogênea, porque depende do gênero, raça e classe social.
O conceito de "envelhecimento" é um constructo social.
03 de setembro de 2025
prof. Mario Moura
terça-feira, 2 de setembro de 2025
segunda-feira, 1 de setembro de 2025
SOU VELHO SIM, E DAÍ?
SOU VELHO SIM, E DAÍ?
A construção da realidade, só é um fato, porque nós, humanos, estamos aqui. A realidade do mundo é um constructo. Se não existissemos, também não haveria o mundo concreto das coisas, posto que não estaríamos aqui, para conferir uma escala de valores aos objetos e fenômenos naturais.
Nossa mente é que confere e organiza o mundo real, tal como existe, a partir do primeiro hominídeo, a primeira espécie humana surgida no planeta Terra, denominada "Homo habilis", surgiu na África, há cerca de 2,4 a 2,5 milhões de anos. Este "Homo habilis" evoluiu da espécie Australopithecus, que já se locomovia sobre duas pernas.
Este humano, é conhecido por ter sido o primeiro ser "cognitivo" a usar ferramentas de pedra, e sobretudo, andar ereto. Com certeza, é o marco mais importante na história da espécie humana.
Marco do processo evolutivo do gênero humano, que assinalaria o gigantesco passo do primitivismo para a escala que iniciaria a história extraordinária do ser que dominaria o planeta, e conferiria significado ao mundo as coisas e dos fenômenos naturais.]
Com essa narrativa, pretendo afirmar que não sou apenas idoso, mas que sou a própria história da humanidade, carregando comigo aquela datação de milhões de anos, pois que sou o herdeiro de uma espécie.
Sou velho sim, e daí? Já que é uma evidência o aumento acelerado do números de idosos no Brasil, ainda se conhece muito pouco sobre a pessoa idosa, e até o momento, outros atores têm falado pelos idosos, dando foco ao envelhecimento, como um processo negativo e homogêneo, percebendo-se a necessidade de desnaturalizar-se o fenômeno da velhice, considerando-a uma categoria social e culturalmente construída.
Este estudo busca conhecer como os idosos representam a velhice, através de sua percepção do processo de envelhecimento.
Utilizou-se uma abordagem metodológica quantitativa, evidenciando-se as imagens e representações dos idosos a respeito do envelhecer.
Os dados foram coletados por meio de entrevistas realizadas com dez idosos, de idades entre 60 e 85 anos (cinco mulheres e cinco homens), orientadas pela seguinte pergunta:
"Como você se vê no processo do envelhecimento"
As informações permitiram apontar que, diferentemente da visão negativa e homogeneizadora do outro, em torno da velhice, os idosos entrevistados vivenciam o processo do envelhecimento de forma diferente e relatam a velhice como uma fase de prazer.
Não se perceberam frustrações, conflitos e dramaticidades na forma de vivenciarem a idosidade, segundo a Revista Brasileira de Geriatria e gerontologia.
Também não foram identificados sentimentos de rejeição e, ou inferioridade, face às mudanças e perdas.
Essa abordagem não esgota este conteúdo, apenas pretende despertar novas discussões sobre o envelhecimento e o que pensa o idoso sobre o envelhecer, construindo com voz própria a sua história nesse ciclo da vida.
01 de setembro de 2025
prof. mario moura
Mais de 55 anos? Troque todo o seu Treino por estes 3 exercícios para Força Absurda!
Assistir mais tarde Adicionar à fila Mais de 55 anos? Troque todo o seu Treino por estes 3 exercícios para Força Absurda! 07 de maio de 20...
-
É preciso distinguir entre sabedoria e conhecimento. Era tradição, nos grupos humanos, que os mais velhos, detinham a sabedoria. A sabedo...
-
https://www.youtube.com/shorts/chi-LojXcfo 28 de agosto de 2024
-
Assistir mais tarde Adicionar à fila Os erros de português mais cometidos pelos brasileiros 15 de agosto de 2024







