quarta-feira, 3 de setembro de 2025

OS IDOSOS, AS DIVERSAS CLASSES SOCIAIS, E O QUE PENSAM DA VELHICE

OS IDOSOS, AS DIVERSAS CLASSES SOCIAIS, E O QUE PENSAM DA VELHICE

A idosidade é o grande desafio da sociedade pós-industrial.

É evidente o aumento do número de idosos no Brasil, despreparado em suas políticas públicas assistencialistas, para atender a esse público, sobre o qual se conhece muito pouco.

Até o momento, outros atores têm falado por eles, focando na velhice como um processo negativo e linearmente homogêneo.

Trata-se de um segmento social diferenciado em suas necessidades, o que cria um novo patamar de cuidados e atendimentos, bem mais exigentes, considerando ser um público especial e com fragilidades decorrentes da idade. 

No entanto, ainda paira a invisibilidade de sua presença crescente na sociedade, sem que ações e projetos sejam desenvolvidos, para atender a esses idosos, que ficam à margem das preocupações do poder público.

Saber quem são esses idosos, em que classes sociais estão situados, que projetos desenvolver para  esse segmento, considerado "singular e improdutivo, sem valor social", observando-se que foram eles que construíram o momento presente, é o sentido e significado desta exposição.

Em 2022, o total de pessoas com 65 anos, ou mais no país, atingiu 10,9% da população (22.169.1011), com alta de 57,4%, frente a 2010, quando esse contingente era de 14.081.477, 08, ou 7,4% da população.

Segundo o IBGE, os indicadores de envelhecimento da população brasileira, aceleraram para níveis recordes, e pessoas de 65 anos ou mais. já representam 10,9% do total de habitantes no país - dos 203,1 milhões de brasileiros, 22,2 milhões estão nesta faixa etária.

Georg Lukacs, um dos mais importantes intelectuais marxistas, da era stalinista, filósofo, sociólogo, político, escritor, professor universitário, crítico literário e historiador literário, reconhecido como o precursor dos estudos sociológicos da literatura ficcional, apresenta um texto interessante sobre a velhice. 

Considero ser importante apresentá-lo, pois sua atualidade, ante a realidade brasileira,  merece uma reflexão sobre a ocorrência significativa e transformadora de fatos e ações, no curso de eventos, que alteram a nossa percepção da realidade, permitindo notar o conceito de envelhecimento como um constructo social. Um ponto de inflexão.

Vamos ao texto de Lukacs.

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"O envelhecimento do trabalhador está sujeito às instituições sociais do Estado. Nas democracias capitalistas, o envelhecimento da população suscita uma nova questão.

Não somente as pessoas idosas são muito mais numerosas do que outrora, mas elas não se integram mais espontaneamente à sociedade. Esta vê-se obrigada a decidir sobre o estatuto delas, e a decisão só pode ser tomada em nível governamental.

A velhice tornou-se o objeto de uma política.

É possível observar-se que a velhice da classe trabalhadora demanda atenção substancial do Estado na contemporaneidade, pois os setores sociais e populares estão cada vez mais subalternizados pelas condições  redefinidas do trabalho informal. flexibilização do trabalho, desproteção trabalhista, dentre outros aspectos que desembocam no agravamento da desigualdade e pobreza.

Desta forma, as respostas dadas pelo Estado às expressões da "questão social", devem corresponder às necessidades dos segmentos de classe e também geracionais, levando em conta os aspectos denunciados por Debert. quando afirma que "(...) o empobrecimento e os preconceitos marcariam a velhice nas sociedades modernas, que abandonam os 'velhos' a uma existência sem significado.

As contradições fundamentais da sociedade organizada sob a égide do Capital, revelam que interessa à produção capitalista, apenas a usurpação da força do trabalho, condição fundante para os processos  de procução.

O envelhecimento da classe trabalhadora, alienada  pelo trabalho abstrato, torna-se peculiar no sentido de não representar o tempo da liberdade, do descanso e do lazer, tal qual difunde o mercado e a cultura capitalista.

Não há na sociabilidade capitalista, tempo verdadeiramente livre para o trabalhador, e é no tempo da velhice que as contradições e desigualdades de classe engendradas  pelo desenvolvimento do Capital são evidenciadas.

A classe trabalhadora passa a ter seu próprio tempo de vida (tempo de trabalho e tempo livre) submetido à logica do Capital, o que compromete a liberdade e o sentido da vida dentro, e também fora do trabalho.

Essa lógica condena o trabalhador à exploração máxima, até o limite de exaustão da sua capacidade produtiva, repercutindo em toda a esferas da vida e do tempo social.

O trabalhador velho, ao perder o seu valor de uso para o Capital, atinge um potencial desumanizante de superfluo para o Capital, e peso morto no exército industrial de reserva.

Esse sistema produtor de mercadorias instaura uma relação desumanizada, coisificada, que reduz a força de trabalho, à coisa, a condição material de produção, submetida ao imperativo da produção de riquezas para fins de valorização do Capital, engendrando não apena a devalorização da qualidades e necessidades humanas, mas também uma sociabilidade que gera pobreza, populaçõe excedentes , e "os inúteis" para o Capital, pela falta do valor de uso, de rentabilidade, principalmente, quando a força do trabalho está desgastada e envelhecida.

O ser humano, em tempo de Capital, só interessa enquanto possuidor de força de trabalho, fonte de mais-valia e de valor, ou enquanto consumidor, o que explicaria a desvalorização social dos velhos, e mais ainda, do envelhecimento empobrecido e inseguro, têm-se dado mediante políticas de seguridade social que, em países de capitalismo dependente como o Brasil, não conseguem garantir o mínimo necessário a reprodução da vida, a uma parcela significativa da população.

Essas medidas mantém o ciclo da apropriação de riquezas e exploração da grande massa: as políticas sociais que integram o conjunto de proteção  social à velhice do trabalhador, estão, contraditoriamente, ofertando acesso a direitos sociais ao mesmo tempo em que reproduzem ações de caráter seletiva, excludente e privatista."

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Envelhecer no Brasil, não é uma experiência unívoca, homogênea, porque depende do gênero, raça e classe social.

O conceito de "envelhecimento" é um constructo social.

03 de setembro de 2025

prof. Mario Moura


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