quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

TUDO Vai Mudar Assim Que Você Aprender Isto | Conhecimento do 33º Grau Maçônico

 

JREO Vaticano acaba de PROIBIR o Livro de Enoque depois que ele revelou ISSO

 

Manipulação de Energia é REAL: Use Isso Antes que SEJA APAGADO (Guia Sem Enrolação)

 

Pule Este Vídeo e Você Nunca Vai Se Perdoar (Sem Enrolação)

 

Os Livros Mais Assustadores Que Foram Totalmente BANIDOS da Bíblia!

 

TUDO Vai Mudar Assim Que Você Aprender Isto | Conhecimento do 33º Grau Maçônico

 

Explicação das 12 Leis do Universo e sua Aplicação na Vida PARA FACILMENTE CONSEGUIR O QUE DESEJA

 

CAIBALION: O Ensinamento PROIBIDO que Mudará Sua Percepção da Realidade

 

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

PEQUENOS CONTOS & OUTRAS HISTÓRIAS...

 ANACLETO, UM HOMEM SILENCIOSO

Anacleto tinha as pernas curtas, desproporcionais ao tronco robusto, atlético, que lhe dava um ar meio disconforme, o que não lhe retirava o ar de generosidade e simpatia.

Era manso de coração. Falava baixo, quase murmurando, como se não quisesse incomodar. Tímidez que ocultava um mar revolto interior, alimentado pelos livros, razão maior de sua vida.

De hábitos monacais, emocionava-se com as leituras de monges, clausuras, castidades, embora não entendesse com clareza, como era possível um ser humano enclausurar-se, distanciar-se da vida, apagar todos os prazeres que a natureza dotara os seres vivos, e viver em solidão, ardendo por um mundo tão distante e desconhecido.

Essa efervescência interior, monólogo interminável, consumia-o em suas noites de insônia. Olhos arregalados na escuridão do quarto, imaginava aqueles monges em celas frias, nuas, desprovidas de qualquer conforto, e viajava imaginando se aquela solidão alimentava alguma fé estranha, em algo estranho, um deus poderoso que o arrebataria para a abundância prometida de algum paraíso desconhecido da imaginação humana. 

Anacleto era jovem, homem de trinta anos, boas feições, apesar do corpo  em desequilibrio geométrico de proporções. Inteligente suficiente, para ser considerado culto, por força de muitas leituras, dos melhores autores que a humanidade até então havia produzido.

Se fosse defini-lo, diria que o melhor adjetivo seria "silencioso": um homem silencioso, de poucas falas, além do cumprimento formal, quando necessário.

Não tinha amigos, os poucos que fizera ao longo da sua restrita vida social, alguns falecidos, outros cumprindo sua sina de sobreviver, sem tempo a perder, ou sem tempo para nada, além de trabalhar por algum salário que os mantivessem atrelados a rotina quase desesperadora, de quem apenas sobrevive.

Anacleto morava só, num pequeno apartamento de sala e quarto conjugados, cujo aluguel cabia no seu estreito salário de vendedor, em loja de eletrodomésticos. 

Não, não era um homem infeliz, como pode pensar o meu leitor! Como qualquer ser humano, algo que também faz parte de algum misterioso mecanismo psicológico, adaptara-se com os anos, àquela vida enfadonha, sem esperança, sem objetivos, ou expectativas de algo que chegasse repentinamente, e num passe de mágica, transformasse ou transmutasse Anacleto e a realidade ao seu redor, em alguma realidade fantástica!

Um momento, meu caro leitor! Eu disse sem objetivos? Não! Quase esqueci o essencial da vida de Anacleto, além do copo de leite gelado, antes de dormir, e algumas doses de whisky barato, sempre que chegava do trabalho, após o banho, na sua poltrona, já meio velha e desbotada.

Creio ser importante descrever o ambiente do seu conjugado. O que acha o meu leitor? Concorda?

Uma mesa, tampo de madeira, duas cadeiras, algo semelhante a um buffet, duas estantes repletas de livros, sua velha poltrona, uma pequena mesa lateral de apoio, uma TV. Sua cama. Um criado-mudo, Um fogão, alguns utensílios de cozinha.

Nenhum quadro. Nenhum adorno. Nada que aquecesse alguma forma de graça ao ambiente. Frio, nu, o que criava um ar melancólico, ou sonambúlico. Um ar de pesadelo, um pouco sombrio. Refletia, possivelmente um certo estado de abandono emocional. É sempre interessante, senão curioso, observar que o ambiente reflete o estado íntimo do seu habitante.

Mas não era um homem infeliz, repito. Sem esperança, sim! Com certeza!

Sim, o que alimentava Anacleto, seu maior e único objetivo, secretíssimo, era a jovem vizinha do prédio ao lado. Uma mulher de seus 25 anos, mais ou menos, que apenas notaríamos, se esbarrasemos nela.
A janela do quarto de Anacleto, alinhava-se na direção da janela do quarto da jovem. 

Também ela chegava do trabalho. Tomava o seu banho, e distraidamente, seguia para o quarto, nua, deitava-se na cama, como se descansasse, antes de vestir-se. 

Era o momento erótico de Anacleto. Seu momento secreto, em que admirava aquele corpo, estirado na cama, em repouso, como se aguardasse algum acontecimento devasso.
Durava alguns minutos, quatro... cinco... até que as luz do pequeno abajour se apagasse.

Anacleto ia então para a sua poltrona, servia sua primeira dose de whisky, olhos cerrados, andava oniricamente pelos descaminhos dos pecados carnais.
Assim, no silêncio do seu devanear, Anacleto conquistava o seu momento de prazer. A único rotina que alimentava a sua vida, pendurada entre o prazer do olhar, e o prazer de sonhar com o que olhara.

Certo dia, Anacleto se prepara para o teatro visto da sua janela. Mas o quarto estava às escuras. A janela fechada. Uma certa inquietação toma conta de Anacleto. 
Vai diversas vezes à janela. Nada. Escuridão.
Dia seguinte, o mesmo cenário. Janela fechada. Soube pelo porteiro do prédio que a jovem mulher mudara-se.

Três dias depois, do acontecido, um funcionário da loja de eletrodométicos bate à porta de Anacleto, para saber de sua ausência ao trabalho. Ninguém atende. Volta o funcionário no dia seguinte. O mesmo silêncio. Nota, porém, um odor estranho, forte, fétido.
Informa ao gerente, que resolve denunciar à polícia, o que fora dito pelo funcionário.
Anacleto, assim como vivera, deixara a vida: silenciosamente.
Não suportara a perda da vizinha, seu único e secreto amor, que até então alimentara a sua existência.

Tão silenciosamente deixara a vida, que sequer fora notícia de jornal. Sem parentes, era apenas um indigente solitário. 
A vizinhança, sim, soubera do acontecido. Os rumores, ou fofocas que corriam, davam o tom das intrigas: "sabe-se lá o que fazia... boa bisca não era! É preciso cuidado com essa gente!!"
A vizinha da janela, que iluminara as noites sensuais de Anacleto? Não sabia quem era Anacleto. Sequer soubera de sua morte...

29 de novembro de 2024


Mais de 55 anos? Troque todo o seu Treino por estes 3 exercícios para Força Absurda!

  Assistir mais tarde Adicionar à fila Mais de 55 anos? Troque todo o seu Treino por estes 3 exercícios para Força Absurda! 07 de maio de 20...