segunda-feira, 18 de agosto de 2025

A travessia e o tempo que vale a pena viver

A travessia e o tempo que vale a pena viver

"Dias inteiros de calmaria, noites de ardentia, dedos no leme e olhos no horizonte, descobri a alegria de transformar distâncias em tempo."
                                          Amyr Klink

No mar, não se navega sem saber de onde se parte e para onde se vai. As coordenadas são claras e a rota é precisa. Em terra firme, nem sempre é assim. Vivemos boa parte do tempo “a caminho”, “saindo”, “chegando já”, mas, muitas vezes, sem consciência do rumo que estamos seguindo. Esquecemos de marcar nossos portos e pontos de partida e chegada. E, com isso, nos perdemos do sentido da jornada.

O navegador Amyr Klink, em seu livro “Cem dias entre o céu e o mar”, escreveu que descobriu “a alegria de transformar distâncias em tempo”. Não o tempo do relógio, mas um tempo cheio de significados. Um tempo de maré, de paciência, de confiança. Um tempo que não se mede em pressa, mas em presença.

Sua travessia do oceano Atlântico, a bordo de um barco a remo, foi planejada em detalhes. Mas foi o respeito às forças do mar — e não o domínio sobre elas — que lhe garantiu uma chegada segura. Respeito ao que não se controla. Confiança naquilo que se é. E paciência como a virtude de quem sabe reconhecer o tempo certo de tudo acontecer.

Transformar o medo em respeito e o respeito em confiança. Essa é uma lição que o mar ensina, e a Vida confirma. Há dias em que não pescamos nada. Há dias em que tudo parece incerto. Mas, se tivermos um porto em mente, seguimos. Se soubermos o nome da praia que buscamos, a espera vira Esperança.

E você? Tem nomeado os seus portos de partida e chegada?

Tem feito pausas para refletir sobre onde está e para onde vai?

Tem reconhecido suas pequenas vitórias ao fim de cada ciclo?

Quando damos um sentido ao início e ao fim das coisas, tornamos a Vida mais sagrada. Sacralizar o tempo é marcar o instante com intenção. É viver em nome de algo maior, e não apenas passar pela vida como passamos por caminhos desinteressantes. É chegar ao final de um dia com a certeza silenciosa de que valeu a pena vivê-lo.

Viver com consciência é navegar com precisão, mesmo em meio às incertezas do caminho. E, no fim da travessia, descobrir que a felicidade não está apenas na chegada, mas em tudo que se tornou sagrado ao longo da nossa jornada.

18 de agosto de 2025
Aline Nascimento Freitas
Professora e aluna da Nova Acrópole
Lago Norte - Brasília/DF

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Mais de 55 anos? Troque todo o seu Treino por estes 3 exercícios para Força Absurda!

  Assistir mais tarde Adicionar à fila Mais de 55 anos? Troque todo o seu Treino por estes 3 exercícios para Força Absurda! 07 de maio de 20...