"EU TENHO UM PASSADO, ACREDITE, EU JÁ FUI JOVEM. E A MELHOR COISA QUE PODE ACONTECER-LHE, É ENVELHECER. ALTERNATIVA? MORRER CEDO..." (Alexandre Kalache)
Parece-me, quando deparei-me com o leve, suave e nada estóico pensamento de A. Kalache, que retira do limbo dos marginalizados pelo etarismo, "os velhos", os que fizeram o longo percurso por desconhecidas e sempre surpreendentes veredas da existência, e carregam o fardo de tantos sentimentos e afetos que somente a eles pertence, e confere-lhes a dignidade dos sobreviventes, do que chegaram a velhice, pois "a aleternativa, é morrer cedo", deixar a vida antes de envelhecer...
Carregam, com o fardo de suas memórias, o sentimento de conquista, a vitória do envelhecer, de olhar o caminho percorrido, com o sabor de "ainda estou aqui", sobrepujando o tempo... e mais, podem contar histórias... transforma-las em fábulas, ou em poesia.
Carregam o encantamento da vida, a nostalgia dos momentos intensos, que somente eles, pessoas únicas entre os bilhões de seus semelhantes, viveu e pode reviver.
Nesse caldeirão de tantas experiências, de tanta vida, de tantas alegrias e sofrimentos, ele, o velho, está só, com suas sombras que emergem de obscuras distâncias, vindas das desconhecidas regiões do espírito.
Interessante notar que a velhice, nesses tempos em que as pessoas estão distantes de si mesmas, alienadas da autenticidade de sua natureza, tempos ditos pós-modernos, ganhou uma semântica de inutilidade para o trabalho, como se o objetivo da vida, fosse apenas produzir, trabalhar, viver suspenso entre a irrealidade de um sistema que anula e entorpece as pessoas, gratificando-as com o consumo, e a ilusão de que essa "irrealidade" é o fim último da existência, garantia de uma vida plena, ou dita de modo mais objetivo, de uma vida "feliz".
É de uma objetividade quase cruel, dizer que a alternativa da velhice, é morrer cedo, ou jovem.
Partindo desse ponto, quando a velhice ganha o "status de inutilidade", a objetividade procura demonstrar a importância de se chegar a idosidade.
25 de novembro de 2024
prof.mario moura







