Um passeio pela vida, um encontro com os mistérios, que a cada momento nos surpreendem com sua face obscura. Refletir sobre o que se oculta na existência, leva-nos ao caminho do autoconhecimento e da sabedoria.
terça-feira, 15 de outubro de 2024
quinta-feira, 10 de outubro de 2024
AMOR PARA CORAJOSOS (L. F. PONDE)
O poeta Vinícius de Moraes ensinava a amar, porque não há nada melhor para a saúde, que um amor correspondido.
Se não há nada mais importante do que amar, pensar o amor em suas diversas formas e vínculos é fundamental.
Em Amor para corajosos, o filósofo Luiz Felipe Pondé conduz o leitor por um passeio sobre o tema. Não se trata de um manual para amar melhor ou um estudo acadêmico.
Na sua tradicional prosa ao mesmo tempo provocativa e elucidativa, Pondé escreve uma série de ensaios que podem ser lidos aleatoriamente ou na ordem sugerida.
Ele parte de uma diferença filosófica entre o que seria um amor kantiano que busca estabilidade e respeito e um amor nietzschiano aquele da paixão avassaladora.
O foco principal é o amor romântico chamado pelos medievais de doença da alma.
Pondé usa a filosofia, as ciências sociais e a cultura para analisar questões eternas e outras mais contemporâneas.
O amor pode conviver com rotinas? O amor tem cura? É ético abrir mão do amor em nome de obrigações familiares? Como saber se você é um canalha ou uma vagabunda? É possível confiar numa mulher? Como curar a atávica insegurança masculina? E quando o amor morre?
Como o próprio título sugere, Amor para corajosos Reflexões proibidas para menores, vai instigar o leitor ao exercício do amor.
Afinal, segundo o próprio Pondé, o amor é uma experiência prática, jamais teórica. Se você nunca entendeu a razão de a literatura estar cheia de exemplos de pessoas que morrem de amor, nenhuma teoria do amor vai salvá-lo do vazio que é nunca ter sofrido de amor.
quarta-feira, 9 de outubro de 2024
MARIO QUINTANA FALA DAS MULHERES
MARIO QUINTANA FALA DA MULHERES
Mário Quintana fala das Mulheres
(para tereza furtado)
“Aos 3 anos: Ela olha pra si mesma e vê uma rainha.
Aos 8 anos: Ela olha pra si e vê Cinderela.
Aos 15 anos: Ela olha pra si mesma, vê uma bruxa e diz: ‘Mãe, eu não posso ir pra escola deste jeito!’
Aos 20 anos: Ela olha pra si mesma e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, decide sair, mas vai sofrendo.
Aos 30 anos: Ela olha pra si mesma e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas decide que agora não tem tempo pra consertar; então vai sair assim mesmo.
Aos 40 anos: Ela olha pra si mesma e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas diz: pelo menos eu sou uma boa pessoa, e sai mesmo assim.
Aos 50 anos: Ela olha pra si mesma e se vê como é. Sai e vai pra onde ela bem entender.
Aos 60 anos: Ela se olha e lembra de todas as pessoas que não podem mais se olhar no espelho. Sai de casa e conquista o mundo.
Aos 70 anos: Ela olha pra si mesma e vê sabedoria, risos, habilidades. Sai para o mundo e aproveita a vida.
Aos 80 anos: Ela não se incomoda mais em se olhar.
Põe simplesmente um chapéu violeta e vai se divertir com o mundo.
Talvez devêssemos pôr aquele chapéu violeta mais cedo!”
UM HOMEM LIBERTO, (ou O JEITO AGORA É O SEGUINTE...)
UM HOMEM LIBERTO
Paulo Mendes Campos
E eis que, onde menos se espera, neste Rio de Janeiro pecaminoso e aflito, existe um homem que ultrapassou a barreira da nossa miserável condição.
Antes de contar o caso, é preciso generalizar. Que é o homem? Um animal acuado. Que é a vida do homem? Uma tentativa de sair da armadilha. Tudo é tentativa de sair da armadilha: religiões, ciência, trabalho, arte, amor, riqueza, poder, drogas estupefacientes, tudo.
Uma caricatura moderna me parece a síntese mais genial da contingência humana: dois homens lado a lado em pavoroso calabouço estão irremediavelmente argolados à parede, pelo pescoço, pelos pulsos e pelas pernas; um se vira para o outro e diz: o jeito agora é o seguinte...
A vida de cada indivíduo e de todos os povos é isto: não perder a esperança, imaginar um jeito de sair do calabouço.
Havia o frio, e o jeito era o seguinte: descobrir o fogo. Havia a escuridão, e o jeito era o seguinte: descobrir a luz. Havia a doença, e o jeito: descobrir o remédio. Há a fundamental orfandade terrestre, e o jeito é descobrir o Pai.
Hoje a Terra se faz moral e materialmente pequena, e o jeito é descobrir outros corpos celestes.
Dois duros aprendizados nos resumem: em primeiro lugar, o de aprender a viverr; já atingidos os primeiros estágios da sabedoria, temos de desistir, para iniciar o curso da morte. E, para a morte, o jeito é o seguinte... Houdini, o americano que se libertava de todas as cadeias, e que andou buscando em sessões espíritas a saída para a morte, é uma grande figura simbólica da recuperação humana.
O preço da existência é o medo. O homem primitivo tinha medo, por exemplo, do trovão e fazia sacrifícios à divindade. Os deuse cruéis multiplicaram-se na Grécia, e o homem tinha medo da vingança que poderia transforma-los, por exemplo, em porco imundo. O demônio fez tremer de medo a Idade Média. A Renascença, um humanismo, até certo ponto desviou esse medo para o próprio homem poderoso, o príncipe.
Diversos foram os remédios humanos contra o medo: oferendas à divindade, exorcismos, a iluminação budista, a resignação cristã... Finalmente, na idade Capitalista, as formas de conjuração do terror ficam a cargo de um médico de almas, o templo é uma sala apenumbrada, o altar ritual é o divã. O nosso medo contemporâneo tem dois nomes genéricos: se é pouco, chama-se ansiedade; se é intenso, chama-se angústia. Marx e Freud descobriram que o homem é uma ilha cercada de insegurança por todos os lados. Mas é preciso sair da ilha. Como? O jeito é o seguinte...
Marx criou o homem coletivo, purificado por uma harmoniosa dependência social; Freud quis criar o homem forte na sua solidão, o homem para o qual uma rosa é uma rosa, um raio é um raio, a morte é a morte.
Esta vida, diz Santo Agostinho, e o grifo é meu, se merece tal nome, tão cheia de males e prova de toda a raça humana haver sido condenada na primeira origem. Redivivo, Santo Agostinho questionaria em livros imensos as doutrinas de Marx e Freud. Mas não entraremos nessa nessa discussão; o certo é que a vida é cheia de males, e o próprio Santo Agostinho os arrola: afeições vãs e nocivas, preocupações mordazes, inquietudes, tristezas, temores, falsos contentamentos, discórdias, alterações, guerras traições, aborrecimentos, inimizades, enganos, adulações, fraude, roubo, rapina, perfídia, soberba, ambição, inveja, homicídios, parricídios, crueldade, inumanidade, maldade, luxúria, petulância, desvergonha, desonestidade, fornicações, adultérios, incestos, estupros, pecados contra a natureza, blasfêmias, perjúrios, opressões de inocentes, calúnias, tramas secretas, prevaricações, falsos testemunhos, julgamentos iníquos, violências, latrocínios, e outros males semelhantes, continua ele, que não afloram agora ao pensamento, mas sitiam e cercam a vida dos homens. Hamlet, no solilóquio, dá mais algumas achegas,duas a meu ver , indispensáveis: as afrontas eo amor desprezado e os agravos da idade.
Poid meu amigo, não estou fazendo piada, quando lhe digo que vi um homem liberto de todos os males, liberto principalmente de si mesmo, em um bar de Copacabana. Sem religiáo, sem ideologia, sem psicanálise, sem ácido lisérgico, ele se ibertara, vamos dizer, na raça, no peito. O homem estava bêbado e debruçado sobre a mesa de mármore. De repente levantou a cabeça (reparem bem na perfeição da síntese) e disse a fabulosa mensagem:
"Eu estou preparado! Estou preparado para a miséria!... a traição!. a dor de dente!... e o CÂNCER!"
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