quinta-feira, 19 de setembro de 2024

BIOGRAFIA GUIMARÃES ROSA, ESCRITOR BRASILEIRO

 

Guimarães Rosa

Escritor brasileiro
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de Guimarães Rosa

Guimarães Rosa (1908-1967) foi uma das principais expressões da literatura brasileira. O romance "Grandes Sertões: Veredas" é sua obra prima. Fez parte do 3.º Tempo do Modernismo, caracterizado pelo rompimento com as técnicas tradicionais do romance.

Renovador da moderna literatura, tomou por base o regionalismo mineiro e criou sua própria linguagem literária, a partir de termos em desuso, da criação de neologismos e da construção sintática e melódica das frases.

Guimarães Rosa foi também médico e diplomata.

Infância, juventude e formação

João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, pequena cidade do interior de Minas Gerais, no dia 27 de junho de 1908. Filho de um comerciante da região, aí fez seus estudos primários, seguindo em 1918, para Belo Horizonte, para casa de seus avós, onde estudou no Colégio Arnaldo.

Cursou Medicina na Faculdade de Minas Gerais, formando-se em 1930. Datam dessa fase seus primeiros contos, publicados na revista O Cruzeiro.

Depois de formado, Guimarães Rosa foi exercer a profissão em Itaguara, município de Itaúna, onde permaneceu por dois anos. Culto, sabia falar mais de nove idiomas.

Em 1932, durante a Revolução Constitucionalista, voltou para Belo Horizonte para servir como médico voluntário da Força Pública. Posteriormente, atuou como oficial médico no 9.º Batalhão de Infantaria em Barbacena.

Em 1936, Guimarães Rosa participou de um concurso ao Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras, com uma coletânea de contos chamada "Magma", conquistando o primeiro ugar, mas não publicou a obra.

Diplomata

Em 1934, o domínio de vários idiomas levou Guimarães Rosa para o Rio de janeiro onde prestou concurso para o Itamaraty, conquistando o segundo lugar.

Em 1938 já era cônsul adjunto na cidade de Hamburgo, na Alemanha. Quando o Brasil rompeu aliança com a Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial, Guimarães, junto com outros brasileiros, foi preso em Baden-Baden, em 1942.

Libertado no fim do ano, seguiu para Bogotá como secretário da Embaixada Brasileira. Entre 1946 e 1951, residiu em Paris, onde consolidou sua carreira diplomática e passou a escrever com maior assiduidade.

Sagarana (primeira obra)

Em 1937, Guimarães Rosa começou a escrever Sagarana, composta de 9 contos que retratam a paisagem mineira, a vida das fazendas, dos vaqueiros e dos criadores de gado. Com a obra, participou de um concurso ao Prêmio Humberto de Campos, perdendo o primeiro lugar para Luís Jardim.

Em 1946, depois de refazer a obra, e reduzir de 500 para 300 páginas, publicou Sagarana. O estilo era absolutamente novo, a paisagem mineira ressurgia viva e colorida, as personagens expressavam o pitoresco de sua vida regional. Sucesso de crítica e público, seu livro de contos recebeu o Prêmio da Sociedade Felipe d'Oliveira, esgotando-se, no mesmo ano as duas edições.

Alguns dos contos de Sagarana são obras-primas, como O Burrinho Pedrês, Duelo, Conversa de Bois, Sarapalha e A Hora e a Vez de Augusto Matraga (mais tarde adaptado para o cinema por Roberto Santos e Luíz Carlos Barreto).

No trecho do conto “Sarapalha”, de Sagarana, o autor mostra o conhecimento minucioso sobre a vegetação e a linguagem regional:  

“Aí a beldroega, em carreirinha indiscreta – ora-pro-nobis! ora-pro-nobis! – apontou caules ruivos no baixo das cercas das hortas, e, talo a talo, avançou. Mas a cabeça-de-boi e o capim-mulambo, já donos da rua, tangeram-na de volta, e nem pôde recuar, a coitadinha rasteira, porque no quintal os joás estavam brigando com o espinho-agulha e com o gervão em flor.”

Andanças pelo Sertão mineiro

Em busca de material literário, em maio de 1952, Guimarães Rosa iniciou uma empreitada pelo sertão mineiro. Acompanhando oito vaqueiros e, levando 300 cabeças de gado, percorreu em dez dias os 240 quilômetros que separam Araçaí e Três Marias, na região central de Minas Gerais.

O médico, diplomata e escritor levava pendurada no pescoço uma caderneta onde anotava tudo que via e ouvia – as conversas com os vaqueiros, as sensações, as dificuldades e tudo que vivenciou naquele mundo, o que marcaria sua vida e sua obra.

Guimarães Rosa
Guimarães Rosa entre os vaqueiros

No dia 16 de maio, a caravana chegou à fazenda Sirga, de seu primo Francisco Moreira, em Três Marias. Seguindo a viagem, percorreu várias fazendas e vilarejos da região vivendo o dia a dia dos vaqueiros. Próximo a Cordisburgo, sua cidade natal, Guimarães se reuniu com uma equipe da revista O Cruzeiro, que cobria a viagem.

As cadernetas de Guimarães, foram reunidas em dois diários que o autor chamou de A Boiada 1 e A Boiada 2. Hoje, elas fazem parte do acervo do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo.

As anotações foram utilizadas como elementos de duas obras-primas: Corpo de Baile (1956) e Grandes Sertões: Veredas (1956). A obra Corpo de Baile foi publicada em dois volumes, mais tarde dividida em três: Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém e Noites do Sertão.

Dentro da mesma experiência, Guimarães Rosa publicou: Primeiras Estórias (1962) e Tutaméia – Terceiras Estórias (1967).

Grandes Sertões: Veredas

Grandes Sertões: Veredas é uma das obras-primas de Guimarães Rosa e um dos mais importantes romances da literatura brasileira. Riobaldo, seu narrador-protagonista, agora um velho e pacato fazendeiro, faz um relato de sua vida a um interlocutor, um “doutor” que nunca aparece na história, mas cuja fala é sugerida pelas respostas de Riobaldo.

De um lado, a narração, em verdade, é um longo monólogo em que o narrador traz à tona suas lembranças sobre as lutas sangrentas de jagunços, perseguições e emboscadas nos sertões de Minas Gerais e sul da Bahia, como também suas aventuras amorosas.

Do outro lado, Riobaldo relata as preocupações metafísicas que sempre marcaram sua vida, entre elas, destaca a existência ou não do diabo. Para ele uma questão primordial, pois fizera um pacto com o demônio a fim de vencer Hermógenes, chefe do bando inimigo.

Riobaldo relata três amores na história: o envolvimento com Otacília, moça recatada, o amor sensual de Nhorinhá, uma prostituta, e o amor impossível de Diadorim, nome íntimo de Reinaldo, valente jagunço e melhor amigo de Riobaldo.

A descoberta do amor por Diadorim surpreendeu Riobaldo, que nunca tivera nenhum traço homossexual. Apesar disso, o amor crescia incontrolável:

“Mas Diadorim, conforme diante de mim estava parado, reluzia no rosto, com uma beleza ainda maior, fora de todo comum. Os olhos – vislumbre meu – que cresciam sem beira, dum verde dos outros verdes, como o de nenhum pasto. [...] De que jeito eu podia amar um homem, meu de natureza igual. Macho em suas roupas e suas armas, espalhado rústico em suas ações?! Me franzi. Ele tinha a culpa? Eu tinha a culpa?”

A linguagem de Guimarães Rosa

A linguagem de Guimarães Rosa não tem uma intenção realista de retratar a língua do sertão mineiro exatamente como ela é. Sua preocupação é tomar por base a língua regional e recriar a própria língua portuguesa, a partir de termos em desuso, da criação de neologismos, do emprego de palavras tomadas de outras línguas e da exploração de novas estruturas sintáticas.

Além disso, sua narrativa faz uso de recursos mais comuns à poesia, como o ritmo, as metáforas, as imagens, resultando em uma prosa altamente poética, nos limites entre a poesia e a prosa.

Vida pessoal

Em 27 de junho de 1930, com apenas 22 anos, Guimarães Rosa casou-se com Lígia Cabral Penna, de apenas 16, com quem teve duas filhas: Vilma e Agnes. O casamento durou poucos anos.

No início da carreira diplomática, no cargo de cônsul adjunto do Brasil em Hamburgo, na Alemanha, Guimarães Rosa conheceu Aracy Moebius de Carvalho, futura Aracy Guimarães Rosa, funcionária do Itamaraty.

Aracy era chefe da seção de passaportes do consulado brasileiro em Hamburgo. Ela facilitou a concessão de centenas de vistos para as famílias de judeus escaparem da morte nos campos de concentração de Hitler.

Ela desafiou o antissemitismo velado nos bastidores do governo de Getúlio Vargas. Aracy e Guimarães Rosa foram investigados pelas autoridades do Brasil e da Alemanha.

ABL e Morte

Em 1963, Guimarães Rosa foi eleito por unanimidade para a Academia Brasileira de Letras (ABL), mas somente tomou posse em 16 de novembro de 1967. Três dias depois da posse, sofreu um infarto.

João Guimarães Rosa morreu no Rio de Janeiro, no dia 19 de novembro de 1967. Aracy morreu em 2011, aos 102 anos

Obras de Guimarães Rosa

  • Sagarana (1946)
  • Corpo de Baile (1956)
  • Grandes Sertões: Veredas (1956)
  • Primeiras Estórias (1962)
  • Tutaméia - Terceiras Histórias (1967)
  • Estas Estórias (1969) (Obra póstuma)
  • Ave, Palavra (1970) (Obra póstuma)
  • Magma (1997) (Obra póstuma)


GUIMARÃES ROSA - BIOGRAFIA

 

Guimarães Rosa

Renomado escritor brasileiro, Guimarães Rosa foi exímio prosador. Seu universo mítico-poético reconstrói a linguagem em narrativas únicas, centradas no Brasil rural.

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Guimarães Rosa, considerado o maior escritor brasileiro do século XX, produziu contosnovelas e romances conhecidos pelo exímio trabalho com a linguagem. “Reinventando” a língua portuguesa, Rosa construiu novos vocábulos que a libertam de sua função meramente utilitária, recuperando a linguagem poética. Representante da 3ª fase do modernismo brasileiro, Rosa cria uma literatura que aproveita e absorve o trabalho da Geração de 30, oferecendo outra resposta aos (mesmos) problemas brasileiros.

Tópicos deste artigo

Biografia de Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo (MG)em 27 de junho de 1908. Filho de um pequeno comerciante, mudou-se para Belo Horizonte em 1918, para dar continuidade aos estudos. Formou-se em Medicina, em 1930, e exerceu a profissão em cidades do interior mineiro, como Itaúna e Barbacena. Durante esse período, publicou seus primeiros contos na revista O cruzeiro e estudou, por conta própria, alemão e russo.

Guimarães Rosa é uma figura ilustre da literatura brasileira. [1]
Guimarães Rosa é uma figura ilustre da literatura brasileira. [1]

Versado em nove idiomas, Rosa ingressou na carreira diplomática em 1934. Foi cônsul-adjunto em Hamburgo, na Alemanha, até o fim da aliança entre os países durante a Segunda Guerra Mundial, o que o levou ao cárcere em Baden-Baden em 1942. Depois de solto, tornou-se secretário da embaixada brasileira em Bogotá, e então conselheiro diplomático em Paris. De volta ao Brasil, é promovido a ministro de primeira classe.

Em 1963 é eleito, por unanimidade, membro da Academia Brasileira de Letras. Foi também representante do Brasil no II Congresso Latino-Americano de Escritores e do Conselho Federal de Cultura, em 1967. Morre no Rio de Janeiro, em 19 de novembro desse mesmo ano, vítima de um enfarte.

Leia também: A prosa de sondagem psicológica de Clarice Lispector

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Características literárias

Grande pesquisador e conhecedor de diversas línguas, Guimarães Rosa fez inúmeras viagens de campo, tornando sua literatura uma fusão de arcaísmos, cultura popular e mundo erudito. São principalmente as localidades rurais e seus universos de pobreza, sempre periféricas ao mundo do capital e da divisão do trabalho, que aparecem na obra do autor.

É nesse cenário que Rosa mergulha na experiência do homem iletrado, calcada na natureza, na religiosidade, no mito, na providência divina, num sentido de trabalho ligado a rituais antigos etc. Suas personagens, distantes da modernidade, recuperam um pensamento mítico-mágico: não enxergam o mundo prioritariamente pelo universo lógico-racional. O mundo mágico não é um universo do outro, mas se dilui na própria voz do narrador. Sua literatura adere-se ao mundo do homem rústico.

Esse universo do iletrado, privilegiado pelo autor, envolve uma busca poética e uma latente discussão acerca da arte. A visão de mundo que Rosa recupera é a do alógico. Crianças, loucos, velhos, deficientes, desajustados, milagreiros e até bichos: há um predomínio dessas vozes incomuns em sua obra, distantes da realidade empírica e concreta, mais próximas do mito. Essas personagens ganham um estatuto de vidência, pois o autor questiona a ordem do mundo lógico-racional, que entende os fatos como verdade e a poesia como imaginação.

O mito e o mundo encantado estão à margem da sociedade moderna; estão na boca e no imaginário dessas personagens desajustadas. E é nelas que Rosa vê a origem da poesia, que teria sido de certa forma contagiada pelas necessidades da vida fática, do desgaste da linguagem pela mera comunicação.

“Não entender, não entender, até virar criança.”

(“O Cara-de-Bronze”, em Corpo de baile, J. G. Rosa)

A verdade não está na realidade, mas na poesia. Rosa cria um universo atrelado a um estilo. Potencializa vários recursos da língua portuguesa para levar a cabo essa criação, de modo a superar o utilitarismo da língua. Ele constrói esse mundo mágico pela revitalização da linguagem, em busca de uma linguagem novamente poetizada, e o universo da “pessoa simples”, do iletrado, tem uma potencialidade poética.

Leia mais: Função poética da linguagem: inovação do código

Grande sertão: veredas

Grande sertão: veredas é o grande romance de Guimarães Rosa. Trata-se do longo relato de Riobaldo, um ex-jagunço que, já envelhecido e afastado das funções, põe-se em prosa com um visitante, letrado e urbano, cuja voz não aparece, e que deseja conhecer o sertão mineiro. Narrado em primeira pessoa, Riobaldo é aquele que conta a sua história e a trajetória dos seus pensamentos, refazendo as lembranças dos caminhos percorridos e trazendo à luz novas reminiscências.

De maneira não linear, como no fluxo da memória e das conversas ao pé da fogueira, o narrador conta a história da vingança contra Hermógenes, jagunço traidor, e envereda-se pelo labirinto dos sendeiros que o levaram à jagunçagem, aos recônditos do sertão, a espaços pouco conhecidos do Brasil.

Grande sertão: veredas é um romance único, com uma narrativa peculiar. [2]
Grande sertão: veredas é um romance único, com uma narrativa peculiar. [2]

As paisagens por onde transitou Riobaldo apontam marcadamente para os lugares geográficos correspondentes aos estados de Minas Gerais, Goiás e Bahia. Não obstante, o sertão de Rosa, ao mesmo tempo, é e não é real. Não é só sertão geográfico, mas projeção da alma: Grande sertão: veredas é a alma de Riobaldo.

Esse sertão é do tamanho do mundo — ali estão os problemas locais, o coronelismo, o jaguncismo, as diferenças sociais. A eles acoplam-se os problemas universais. O sertão de Riobaldo é o palco de sua vida e suas inquietações; todos os episódios que relata são permeados de reflexões sobre o bem e o mal, a guerra e a paz, a alegria e a tristeza, a liberdade e o medo — os paradoxos de que é composta sua própria história e a história da humanidade.

Como nomear e identificar o bem e o mal no sistema jagunço, em que impera a violência e a luta pelo poder? Pelas memórias de Riobaldo surgem centenas de personagens e informações, um sem número labiríntico de falas sertanejas, vozes do povo perante uma estrutura de heranças coloniais que não se soluciona.

Também central é o tema do amor, encarnado na personagem de Diadorim, que interpola as lembranças de Riobaldo e que também não se soluciona. Diadorim é colega jagunço de Riobaldo, e em meio a esse universo viril e estruturalmente machista, a homossexualidade não é tolerável. Assim, ao passo em que suscita o desejo de Riobaldo, levanta também o incômodo e a não aceitação do personagem com aquilo que sente.

É o conflito, novamente, entre o bem e o mal, em que Diadorim representa o diabólico, aquilo que Riobaldo rejeita, e ao mesmo tempo deseja. O desfecho do romance, porém, revela uma inusitada informação sobre Diadorim, que gera ainda maiores reflexões sobre o que foi e o que não foi vivido.

Leia também: A engenhosidade poética de João Cabral de Melo Neto

Prêmios

  • 1937: 1º Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras, pelo livro Magma
  • 1937: Segundo lugar no Prêmio Humberto de Campos, da Livraria José Olympio, pelo livro Contos
  • 1946: Prêmio da Sociedade Felipe d’Oliveira, pelo livro Sagarana
  • 1956: Prêmio Machado de Assis, Prêmio Carmen Dolores Barbosa e Prêmio Paula Brito, todos pelo livro Grande sertão: veredas
  • 1961: Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto da obra
  • 1963: Prêmio do Pen Club brasileiro, pelo livro Primeiras estórias
  • 1966: Recebimento da Medalha da Inconfidência e da condecoração da Ordem de Rio Branco

Frases

“A gente só sabe bem aquilo que não entende.”
“Moço! Deus é paciência. O contrário, é o diabo.”
"Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal por principiar."
"A colheita é comum, mas o capinar é sozinho."
“Coração cresce de todo lado. Coração vige feito riacho colominhando por entre serras e varjas, matas e campinas. Coração mistura amores. Tudo cabe.”
“O senhor… mire e veja: o mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas — mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior.”
“O rio não quer chegar a lugar algum, só quer ser mais profundo.”
“Sorte nunca é de um só, é de dois, é de todos… Sorte nasce cada manhã, e já está velha ao meio-dia…”
“Quando o coração está mandando, todo tempo é tempo!”

Crédito de imagem
[1] Luis War / Shutterstock
[2] Companhia das Letras (Reprodução)


Por Luiza Brandino
Professora de Literatura

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18 de setembro de 2024

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Somewhere over the Rainbow / What a Wonderful World - Israel IZ Kamakawiwoʻole

 

AS MINORIAS RELEVANTES (PARTE 02)

                               

É sempre indispensável, quando olhamos o presente, esticarmos os olhos para o passado, para os movimentos históricos que assinalaram mudanças profundas nos costumes e na cultura, visto que o presente tem suas raizes nesse tempo decorrido.

São irremediáveis as transformações no processo histórico das sociedades.

Não se trata mais, como nos recentes movimentos da contracultura, de criticar e confrontar os padrões tradicionais, mas de empenhar-se para ganhar visibilidade, recriando o espaço social, ao reduzir preconceitos, sempre potenciais e latentes, numa arena onde vicejam interesses de classes, de controle e de poder.

Há um grande "arquipélago", onde identificamos com facilidade, "ilhas" de racismos, de empoderamento do feminismo, das opções sexuais, de misoginia, e de tantas outras "ilhas" mais singulares, que ainda estão em estado latente. ainda iniciando o processo de sua organização ideológica.

Hoje a contracultura abandonou o seu lugar de rebeldia, e mostra uma face de irreverência, pois já possue um "status" intelectual, com seus ideólogos atuando em diversas arenas, com propostas bem consolidadas, e um público bem organizado, ciente de que o Sistema já não responde à um conjunto de expectativas que despontam no modelo social incipiente.

Essas "minorias" buscam a visibilidade legalizada, juridicamente reconhecida, almejando um espaço socialmente definido, em que não mais sejam vistas como "minorias", mas como um conjunto de pessoas com acesso ao reconhecimento público dos seus direitos à diversidade.

Essa nova condição resulta das transformações que movimentos contraculturais do recente passado, alterando as relações de controle e dominação dos padrões comportamentais.

A força motriz das novas tecnologias, colabora para profundas mudanças no modelo econômico de produção e de relações de ocupação e empregos, provocando a dissolução conceitual do modelo dominante.

O que podemos observar hoje, nos costumes da cultura ocidental, é que as anteriores "minorias", integraram-se ao conjunto social e já não existem mais  como grupos singulares, apesar dos preconceitos remanescentes.

O Sistema cede às mudanças, abdicando do poder de dominar e de controlar a sociedade, o que abre o estado de transição de valores.

Claro que ainda há resistência, mas sem o poder de intervenção, ante o avanço internacional de um novo modelo de convivência humana.

Fim de um ciclo de dominação...

prof. mario moura

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