quarta-feira, 30 de outubro de 2024

ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DO LIVRO "A ERA DO RESSENTIMENTO" - ( LUIZ FELIPE PONDÉ )

 Análise e apresentação do livro A ERA DO RESSENTIMENTO

ROTEIRO PARA DISSERTAR SOBRE O LIVRO "A ERA DO RESSENTIMENTO"

“SEM HIPOCRISIA, NÃO HÁ CIVILIZAÇÃO – ISSO É A PROVA DE QUE SOMOS DESGRAÇADOS: PRECISAMOS DA FALTA DE CARÁTER, COMO CIMENTO DA VIDA COLETIVA." (L.F.Ponde)

1. Quem é LUIZ FELIPE DE CERQUEIRA E SILVA PONDÉ?

Nasceu em Recife, PE, em 29 de abril de 1959.
Filósofo, escritor, ensaísta, professor universitário, palestrante.
O pensamento e a filosofia de Pondé, baseiam-se num certo pessimismo, na valorização das tradições religiosas ocidentais, e no combate ao "pensamento politicamente correto" nos meios universitários.

Carrega fortes influências do filósofo alemão Friedrich Nietzche e do existencialismo.
Admirador inconteste de Nelson Rodrigues, a quem denomina “um jansenista brasileiro".

Pondé muitas vezes se expressa por meio de aforismos sobre o cotidiano.

(JANSENISMO - doutrina religiosa inspirada nas idéias de um bispo (Cornelius Otto Jansenius).
Defende a interpretação das teorias de Agostinho de Hipona sobre a predestinação, contra as teses tomistas do aristotelismo e do livre-arbítrio.)

(AFORISMO - palavra de origem grega (aphorismós), cujo significado é limitação, definição breve, sentença, embora condense conceitos amplos em poucas palavras.
Os aforismos nem sempre têm intenção de ser uma verdade absoluta, encerrada em si e para si.
Qualquer forma de expressão sucinta de um pensamento moral, de definição breve. Sentença, máxima, adágio, axioma, provérbio.

Exemplos de aforismos:

"A vida é breve, a velhice é longa." "Seria cômico, se não fosse trágico!" "Rir é o melhor remédio." "Só percebemos o valor da água, quando a fonte seca." "Tal pai, tal filho." "Devagar se vai longe." etc.

2. SUAS OBRAS

A Era do Ressentimento - Uma agenda para o contemporâneo (2014)
O Homem e Seus Sintomas(2013)
A Resistência (2014)
Felicidade e seus Inversos (2015)
O que é o amor (2016)
A Arte de Ser Livre (2017)
As 10 Maiores Ideias da Filosofia (2018)
O que é ser humano (2019)
A Morte do Outro (2020)
Guia Politicamente Incorreto da Filosofia
Filosofia para corajosos
Política no cotidiano
(12)... e outras

3. RESSENTIMENTO

Percebo uma certa correlação entre o livro "A ERA DO RESSENTIMENTO", e o que expõe o filósofo coreano Byung Chul Han nos seus ensaios "SOCIEDADE DO CANSAÇO", "INFOCRACIA - Digitalização e a crise da democracia" e "VIDA CONTEMPLATIVA - Ou sobre a inatividade".

Focando o livro do filósofo Byung Chul Han, nos leva a perceber que o conceito da "SOCIEDADE DO CANSAÇO", refere-se à ideia de que  a sociedade contemporânea está nos levando a um estado de exaustão física e mental, devido ao excesso de trabalho, pressão por desempenho e busca incessante por felicidade".
Segundo Byung Chul Han, "vivemos em uma época em que as pessoas estão trabalhando mais horas do que nunca, e sofrem uma pressão constante para serem perfeitos, o que gera estresse, ansiedade e diminuição da qualidade de vida"
Nesse contexto, Byung critica a ideia de que a felicidade é um objetivo constante e que qualquer coisa menos do que isso, é um fracasso
Em vez disso, ele defende que precisamos mudar a forma como pensamos sobre o trabalho e a felicidade, aceitando que a vida é cheia de altos e baixos.
Além disso,Byung destaca que a sociedade do cansaço é caracterizada pela "violência neuronal", onde as pessoas cobram-se cada  vez mais para apresentar resultados, tornando-se elas mesmas vigilantes e punidoras de suas ações. Isso leva a uma sensação de inadequação e diminuição da autoestima.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA SOCIEDADE DO CANSAÇO:
1. Excesso de trabalho e pressão por desempenho;
2. Busca incessante por feliidade;
3. Violência neuronal e autocobrança;
4. Diminuição da qualidade de vida e aumento do estresse e da ansiedade.

"Ressentimento": o que é esse sentimento, e o que representa em nossa vida?
Seu sentido nos remete à ideia de irritação, amargura; é uma emoção que foi descrita como uma mistura de decepção, nojo, raiva, rancor, medo...
Outros psicólogos consideram um estado de espírito, ou uma emoção secundária, que pode ser ativada por um insulto, por uma injustiça, injúria etc.
É uma defesa contra situações injustas, ou circunstâncias desfavoráveis.

Na obra "A era do ressentimento", Pondé considera tal afeto, uma doença do nosso tempo. Ele aborda a construção social a partir desse afeto, e para tanto, analisa as relações sociais em suas diversas dimensões, destacando tanto seus aspectos conflitantes e suas dificuldades, propondo-se demonstrar a falta de organicidade e integração social, a partir desse sentimento.

Segundo Pondé, todos os movimentos significativos que alteram as relações humanas e históricas, nascem do desencontro e do sentimento de não pertencimento, do estranhamento de não se sentir parte do conjunto social.

Pondé afasta-se das noções sociológicas e filosóficas que interpretam a sociedade, como sendo o resultado de um processo integrado e orgânico, como é a história para Hegel e Marx, optando por seguir Daniel Bell, para quem "a sociedade e a História são disjuntivas" em suas dimensões constituintes.
Ou seja, não estão indo para lugar algum e é contraditória, se observada a soma dos elementos que compõem a sociedade e a vida como um todo.
Não há integração e nem organicidade.

Ironiza a ideia de que vivemos em "rede", o locus onde as pessoas se comunicam intensamente, construindo um "mundo melhor".
O fato das tecnologias informatizadas ampliarem o campo das comunicações, de existirem diversidades de relações globais e computadores que se comunicam, esses fatos não implicam a idéia de "redes" e significados integrados que indiquem o avanço da sociedade para um "mundo melhor".

Pondé refere-se a disjunção entre História e Sociedade, falta de sentido orgânico entre elas, apontando as três dimensões, que as compõem:

1. Estrutura Tecnoeconômica (sistema responsável pela produção e distribuição de bens e serviços), visando a redução da escassez, condição natural da vida;

2. Política (instância da Administração e do Poder, que legitima as ações e sua legalidade);

3. Cultural (dimensão que produz, organiza e distribui os valores simbólicos que identificam um grupamento humano, ou uma sociedade). Essa identidade simbolicamente construída pela cultura, nos diz quem somos, por que vivemos e o modo como vivemos.

A disjunção dessas três dimensões, acontece nas sociedades modernas avançadas, gerando conflitos contínuos nas estruturas, desestabilizando o Sistema, e sendo responsável pelo conjunto desintegrado da vida social, política e cultural.

A essa disjunção, que desintegra as três dimensões, e que se constitui como a contradição do Sistema, Pondé denomina "a era do ressentimento".

Segundo Pondé, tal disjunção se revela insolúvel, dando ao nosso século, por força das contradições do sistema capitalista,
o desacordo e o mal-estar permanente, o que desencadeia a "era do ressentimento".

O mundo contemporâneo é marcado pelo secularismo, que se caracteriza pela "vida racional", distante da "liturgia", que marcou a civilização cristã ocidental.
(Liturgia: é a compilação de ritos e cerimônias relativas aos ofícios divinos das igrejas cristãs. É uma palavra que se aplica mais a missas ou rituais da igreja católica.)

O mundo secular nasce com a modernidade e o distanciamento da vida religiosa comunitária. Sua marca é o profissionalismo, o individualismo e o industrialismo, sob o signo das democracias liberais assinaladas pelo consumo.
A emancipação feminina, é o fenômeno decorrente desse liberalismo.

"De qualquer forma, a marca definitiva do contemporâneo é o narcisismo estéril e o individualismo histérico."

Para Pondé, "contemporâneo" não é um conceito temporal, mas um estilo de vida. "Um acúmulo de crenças comumente relacionadas ao narcisismo e às suas soluções de continuidade."

Pondé assinala que o "ressentimento" é um problema profundo, um "drama ontológico"

"O ressentimento é nossa fúria para com a mortalidade que nos define e torna quase todas as nossas qualidades irrelevantes."

Interessante observar o olhar de Pondé, sobre o processo do envelhecimento:

"não envelhecemos, apodrecemos. A maturidade está fora de moda. O espelho é nosso algoz." (...) Difícil resistir ao pânico do envelhecimento. Mas hoje em dia, é pior porque são tantos os idosos, que sabemos que a maioria esmagadora não sabe nada de especial, apenas perdem as funções vitais e se tornam obsoletos.
 
Como resistir a esse desespero? Algumas cirurgias e livros de autoajuda, além de terapias baratas, nos ajudam a resistir ao terror do envelhecimento.
(...) O resultado é a aposta em envelhecer, mas se tornar, com os anos, um retardado feliz. À medida que a pele murcha, e o corpo cai, a alma se faz ridícula."

Pergunto: o que pensará de nós a posteridade?
E Pondé responde:

"Lembrarão de nós como mimados, ressentidos e covardes."

"O homem contemporâneo é, talvez, o mais covarde que já caminhou sobre a Terra, sobre a qual deixará sua marca de incompetência em lidar com a morte, a dor e o fracasso."

Não diria que Pondé, em seu livro, publicado em 2014, A ERA DO RESSENTIMENTO, é um pessimista, no sentido filosófico do termo. 
Não sei como hoje, dez anos após a publicação, pensa Pondé, a respeito de vários conceitos espalhados pelas páginas desse livro.
 
Não faço ideia. Sei que dez anos para um pensador, para quem mantém uma estreita relação de amor com a filosofia, é muito tempo!! 
Muitos conceitos se descristalizam, palavras ganham novos sentidos semânticos, conceitos são filhos mutantes da ciência, e como disse, não sei o que Pondé pensa desse seu filho, A ERA DO RESSENTIMENTO.

Sim, não conclui o que penso do posicionamento de Pondé, quanto ao seu olhar sobre a vida e os acontecimento que nos enredam.
O conceito de "ressentimento", em vários momentos da narrativa, surge dubiamente, o que causa alguma incerteza conceitual.
Não diria que Pondé é um pessimista, mas um "anarquista conceitual".
Um equilibrista, que passeia no fio distendido da sabedoria, no grande circo do conhecimento humano...
Sarcástico? Sim, em muitos momentos de suas reflexões, mas não na totalidade do texto.

29 de outubro de 2024
prof. mario moura

terça-feira, 29 de outubro de 2024

ROTEIRO PARA DISSERTAR SOBRE O "LIVRO ERA DO RESSENTIMENTO"

 ROTEIRO PARA DISSERTAR SOBRE O "LIVRO ERA DO RESSENTIMENTO"


“SEM HIPOCRISIA, NÃO HÁ CIVILIZAÇÃO – ISSO É A PROVA DE QUE SOMOS DESGRAÇADOS: PRECISAMOS DA FALTA DE CARÁTER, COMO CIMENTO DA VIDA COLETIVA." (L.F.Ponde)

1. Quem é LUIZ FELIPE DE CERQUEIRA E SILVA?

Nasceu em Recife, PE, em 29 de abril de 1959.
Filósofo, escritor, ensaísta, professor universitário, palestrante.
O pensamento e a filosofia de Pondé, baseiam-se num certo pessimismo, na valorização das tradições religiosas ocidentais, e no combate ao "pensamento politicamente correto" nos meios universitários.

Carrega fortes influências do filósofo alemão Friedrich Nietzche e do existencialismo.
Admirador inconteste de Nelson Rodrigues, a quem denomina “um jansenista brasileiro".

Pondé muitas vezes se expressa por meio de aforismos sobre o cotidiano.

(JANSENISMO - doutrina religiosa inspirada nas idéias de um bispo (Cornelius Otto Jansenius).
Defende a interpretação das teorias de Agostinho de Hipona sobre a predestinação, contra as teses tomistas do aristotelismo e do livre-arbítrio.)

(AFORISMO - palavra de origem grega (aphorismós), cujo significado é limitação, definição breve, sentença, embora condense conceitos amplos em poucas palavras. 
Os aforismos nem sempre têm intenção de ser uma verdade absoluta, encerrada em si e para si.
Qualquer forma de expressão sucinta de um pensamento moral, de definição breve. Sentença, máxima, adágio, axioma, provérbio.

Exemplos de aforismos
:

"A vida é breve, a velhice é longa." "Seria cômico, se não fosse trágico!" "Rir é o melhor remédio." "Só percebemos o valor da água, quando a fonte seca." "Tal pai, tal filho." "Devagar se vai longe." etc.

2. SUAS OBRAS  

A Era do Ressentimento - Uma agenda para o contemporâneo (2014)

O Homem e Seus Sintomas(2013)

A Resistência (2014)

Felicidade e seus Inversos (2015)

O que é o amor (2016)

A Arte de Ser Livre (2017)

As 10 Maiores Ideias da Filosofia (2018)

O que é ser humano (2019)

A Morte do Outro (2020)

Guia Politicamente Incorreto da Filosofia

Filosofia para corajosos

Política no cotidiano

... e outras 

3. RESSENTIMENTO

O que é esse sentimento, e o que representa em nossa vida?
Seu sentido nos remete à ideia de irritação, amargura; é uma emoção que foi descrita como uma mistura de decepção, nojo, raiva, rancor, medo... 
Outros psicólogos consideram um estado de espírito, ou uma emoção secundária, que pode ser ativada por um insulto, por uma injustiça, injúria etc. 
É uma defesa contra situações injustas, ou circunstâncias desfavoráveis.

Na obra "A era do ressentimento", Pondé considera tal afeto, uma doença do nosso tempo. Ele aborda a construção social a partir desse afeto, e para tanto, analisa as relações sociais em suas diversas dimensões, destacando tanto seus aspectos conflitantes e suas dificuldades, propondo-se demonstrar a falta de organicidade e integração social, a partir desse sentimento.

Segundo Pondé,  todos os movimentos significativos que alteram as relações humanas e históricas, nascem do desencontro e do sentimento de não pertencimento, do estranhamento de não se sentir parte do conjunto social.

Pondé afasta-se das noções sociológicas e filosóficas que interpretam a sociedade, como sendo o resultado de um processo integrado e orgânico, como é a história para Hegel e Marx, optando por seguir Daniel Bell, para quem "a sociedade e a História são disjuntivas"  em suas dimensões constituintes.
Ou seja, não estão indo para lugar algum e é contraditória, se observada a soma dos elementos  que compõem a sociedade e a vida como um todo. 
Não há integração e nem organicidade.
Ironiza a ideia de que vivemos em "rede", o locus onde as pessoas se comunicam intensamente, construindo um "mundo melhor". 
O fato das tecnologias informatizadas ampliarem o campo das comunicações, de existirem diversidades de relações globais e computadores que se comunicam, esses fatos não implicam a idéia de "redes" e significados integrados que indiquem o avanço da sociedade para um "mundo melhor".

Pondé refere-se a disjunção entre História e Sociedade, falta de sentido orgânico entre elas, apontando as três dimensões, que as compõem: 

1. Estrutura Tecnoeconômica (sistema responsável pela  produção e distribuição de bens e serviços), visando a redução da escassez, condição natural da vida;

2. Política (instância da Administração e do Poder, que legitima as ações e sua legalidade);

3. Cultural (dimensão que produz, organiza e distribui os valores simbólicos que identificam um grupamento humano, ou uma sociedade). Essa identidade simbolicamente construída pela cultura, nos diz quem somos, por que vivemos e o modo como vivemos.

A disjunção dessas três dimensões, acontece nas sociedades modernas avançadas, gerando conflitos contínuos nas estruturas, desestabilizando o Sistema, e sendo responsável pelo conjunto desintegrado da vida social, política e cultural.

A essa disjunção, que desintegra as três dimensões, e que se constitui como a contradição do Sistema, Pondé denomina "a era do ressentimento". 

Segundo Pondé, tal disjunção se revela insolúvel, dando ao nosso século, por força das contradições do sistema capitalista,
o desacordo e o mal-estar permanente, o que desencadeia a "era do ressentimento". 

O mundo contemporâneo é marcado pelo secularismo, que se caracteriza pela "vida racional", distante da "liturgia", que marcou a civilização  cristã ocidental.
(Liturgia: é a compilação de ritos e cerimônias relativas aos ofícios divinos das igrejas cristãs. É uma palavra que se aplica mais a missas ou rituais da igreja católica.)

O mundo secular  nasce com a modernidade e o distanciamento da vida religiosa comunitária. Sua marca é o profissionalismo, o individualismo e o industrialismo, sob o signo das democracias liberais assinaladas pelo consumo. 
A emancipação feminina, é o fenômeno decorrente desse liberalismo.

"De qualquer forma, a marca definitiva do contemporâneo é o narcisismo estéril e o individualismo histérico."

Para Pondé, "contemporâneo" não é um conceito temporal, mas um estilo de vida. "Um acúmulo de crenças comumente relacionadas ao narcisismo e às suas soluções de continuidade."

Pondé assinala que o "ressentimento" é um problema profundo, um "drama ontológico"

"O ressentimento é nossa fúria para com a mortalidade que nos define e torna quase todas as nossas qualidades irrelevantes."

Interessante observar o olhar de Pondé, sobre o processo do envelhecimento: 

"não envelhecemos, apodrecemos. A maturidade está fora de moda. O espelho é nosso algoz." (...) Difícil resistir ao pânico do envelhecimento. Mas hoje em dia, é pior porque são tantos os idosos, que sabemos que a maioria esmagadora não sabe nada de especial, apenas perdem as funções vitais e se tornam obsoletos. 
Como resistir a esse desespero? Algumas cirurgias e livros de autoajuda, além de terapias baratas, nos ajudam a resistir ao terror do envelhecimento. 
(...) O resultado é a aposta em envelhecer, mas se tornar, com os anos, um retardado feliz. À medida que a pele murcha, e o corpo cai, a alma se faz ridícula."

Pergunto: o que pensará de nós a posteridade?
E Pondé responde:

"Lembrarão de nós como mimados, ressentidos e covardes."

"O homem contemporâneo é, talvez, o mais covarde que já caminhou sobre a Terra, sobre a qual deixará sua marca de incompetência em lidar com a morte, a dor e o fracasso."

Não diria que Pondé, em seu livro, publicado em 2014,  A ERA DO RESSENTIMENTO, é um pessimista, no sentido filosófico do termo. Não sei como hoje, dez anos após a publicação, pensa Pondé, a respeito de vários conceitos espalhados pelas páginas desse livro. 
Não faço ideia. Sei que dez anos para um pensador, para quem mantém uma estreita relação de amor com a filosofia, é muito tempo!! Muitos conceitos se descristalizam, palavras ganham novos sentidos semânticos, conceitos são filhos mutantes da ciência, e como disse, não sei o que Pondé pensa desse seu filho, A ERA DO RESSENTIMENTO.

Sim, não conclui o que penso do posicionamento de Pondé, quanto ao seu olhar sobre a vida e os acontecimento que nos enredam. 
O conceito de "ressentimento", em vários momentos da narrativa, surge dubiamente, o que causa alguma incerteza conceitual.
Não diria que Pondé é um pessimista, mas um "anarquista conceitual".   
Um equilibrista, que passeia no fio distendido da sabedoria, no grande circo do conhecimento humano...
Sarcástico? Sim, em muitos momentos de suas reflexões, mas não na totalidade do texto.
29 de outubro de 2024
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